Um Sonho a Dois

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Contando a novidade aos vovós e titios

Eu estou terminando meu 5 mês de gestação e ainda não consegui contar tudo que eu quero aqui. Daqui a pouco o bebê nasce e eu ainda não acabei haha. Tenho que correr.

Prometi que ia relatar como contei sobre minha gravidez para meus pais e meu irmão (porque minha irmã já sabia, foi a primeira a saber, aliás) Então, vamos lá! Vou tentar resumir, mas acho que ainda assim será um tanto longo. Desculpem!

Descobri que estava grávida dia 12 de janeiro e minha ideia inicial era contar para meus pais e meus sogros no sábado dia 23 porque era a data que meus pais estariam na minha cidade. Imaginei fazer um lanche da tarde com os quatro e durante o lanche entregar um presente para cada um (uma caneca de melhor avô e melhor avó ou algo assim) e fazer o anúncio. Mas quando falei ao meu marido e minha irmã que só contaria a nossa família dia 23 e que por isso teríamos que guardar segredo, eles não gostaram, falaram que não iam conseguir se segurar por tanto tempo. E depois, fiquei pensando, minha primeira ultra estava marcada para o dia 15 e seria legal ter minha mãe comigo. Resolvi então que tentaria fazer meus pais virem antes.

Liguei para minha mãe na tarde do dia 13 e disse que tínhamos uma novidade em relação ao trabalho do Orlando e queríamos contar pessoalmente para ela, meu pai e para meus sogros, perguntei se poderiam vir pra Resende no final de semana do dia 15. Minha mãe disse que seria difícil por causa do trabalho do meu pai e disse que poderíamos contar pelo skype. Eu falei que queríamos contar pessoalmente e que eu precisava dela comigo para me ajudar a resolver algumas coisas. Minha mãe perguntou se não poderia me ajudar de São Paulo mesmo e aí resolvi inventar uma mentirinha e disse que Orlando foi transferido para uma outra cidade e tínhamos que nos mudar o quanto antes, já estava começando a encaixotar tudo. Ela achou muito esquisito e quanto mais pergunta fazia mais eu ficava enrolada (isso é que dá mentir, haha). Resolvi então dizer a ela que era mentira, que na "verdade" a assistente social havia ligado dizendo que tinha aparecido uma criança de acordo com o nosso perfil e deveríamos ir ver. Falei que iríamos na sexta pela manhã conhecer nosso (a) futuro (a) filho (a) e gostaria muito que ela fosse com a gente. Quando disse isso, minha mãe começou a chorar (detalhe que ela estava na sala de espera da dermatologista e meu pai estava em consulta), não conseguia parar de chorar. Ela disse que viria com certeza, mas como não daria pro meu pai vir, era melhor eu contar pelo skype naquele dia mesmo, na parte da noite. Acabei aceitando e falei pra deixá-lo achar que iríamos mudar de cidade. Avisei meus irmãos para conectarem no skype à noite porque Orlando e eu contaríamos uma novidade.

Antes de falarmos com eles pelo skype, preparamos a sala. Fiz cartazes de "melhor avó", "melhor avô", "melhor tio" e "melhor tia" e espalhamos pela casa, colocamos um body de bebê no sofá e pegamos a caixa do ar condicionado (que tinha acabado de chegar) e colocamos o escrito "irmão mais velho" (por causa do Rocky). Como meu irmão mora nos Estados Unidos e tem a diferença de horário, ele não conseguiu entrar no horário que marcamos, combinei com ele que falaríamos mais tarde.

Esperei meus pais, minha irmã e meu cunhado conectarem primeiro pra depois aparecermos. Minha irmã falou que meu pai ficava perguntando pra ela se ela sabia para onde eu ia. Quando aparecemos, não tinham como não ver nossa sala e o que havíamos feito. Assim que minha mãe viu os cartazes já começou a chorar, a chorar de verdade. Orlando então disse que tínhamos uma novidade e como todos eles podiam ver, não mudaríamos de cidade, uma outra mudança aconteceria e perguntou se eles sabiam qual era. Perguntou se eles conseguiam ler os cartazes e minha mãe chorando leu o "melhor vovó". Então ele perguntou se eles sabiam como meus pais seriam avós e minha mãe perguntou se tínhamos uma criança para adotar. Nessa hora ele pegou meu exame de sangue positivo e mostrou pra eles, disse o que era e nessa hora minha mãe perguntou meio que gritando: "A Patty tá grávida?" e quando eu falei que sim ela chorou mais ainda. Minha irmã chorou e meu pai ficou imóvel, completamente imóvel. Não falava, não piscava... Meu pai saiu da sala, depois voltou e começou a chorar também. Eu chorei, Orlando chorou. Foi um momento muito emocionante e fico com raiva de mim por ter esquecido de gravar. Tudo que conseguimos foi uma foto.

Assim que terminamos de contar para meus pais, meu irmão entrou em contato e disse que estava saindo da faculdade, que a Lari (esposa dele) ainda ia demorar para chegar em casa e que ele queria saber logo o que eu tinha pra falar. Parou em um estacionamento e pediu para contarmos para ele. Disse que tinha uma ideia do que poderia ser. Fizemos a mesma coisa com ele, mostramos o cartaz de melhor tio e ele falou que já havia desconfiado. Então mostramos o exame de gravidez e quando ele viu, começou a chorar que não conseguia parar. Nessa hora todo mundo chorou de novo hahaha. Todos eles não só sabiam do meu sonho de ter um filho, mas, sabiam também da minha dificuldade e viviam esse sofrimento comigo, eles sempre acompanharam tudo de perto, deram muito apoio e oraram e torceram por mim. Não tinha como ouvir essa notícia e não chorar.

Como minha cunhada ainda ia demorar para chegar em casa, fomos para a casa dos meus sogros contar a novidade para eles e para a tia Cristina (tia do meu marido). Entregamos os cartazes dobrados e pedimos para abrirem na mesma hora. Eles também pensaram na adoção e aí o Orlando mostrou o exame de sangue. A tia Cristina começou a bater palmas, depois minha sogra. Foi uma felicidade só. Deram os parabéns, abraçaram a gente...

Voltamos para a casa e para o skype para contar pra Lari, que já estava toda curiosa e também dizia que já sabia o que era. Fizemos da mesma maneira do meu irmão e ela também chorou de emoção.

Daquele momento em diante éramos duas grávidas na família, Lari e eu, diferença de 13 semanas. E meus pais mais bobos que nunca, dois netinhos em um mesmo ano!


(Minha irmã e Bruno "na minha mão", meus pais no cantinho da tela e meu irmão no carro)

Contando a grande surpresa pro papai!

Antes de relatar como contei sobre a gravidez pro Orlando, tenho que falar que eu precisei enganá-lo um pouquinho. É que ele já estava achando estranho minha menstruação não vir e apesar de todos os médicos já terem falado sobre a impossibilidade disso acontecer, no fundo a gente sempre tem uma chama de esperança.

No dia 11 de janeiro (segunda-feira) de noite eu resolvi que ia comprar o teste de farmácia, mas como ele estava comigo, falei que precisava comprar o meu anticoagulante que já estava no fim (isso era verdade). Em todas as farmácias que eu fui, tinha o teste de farmácia mas não tinha o Xarelto e eu não podia voltar para o carro sem o remédio porque ele desconfiaria. Então rodamos bastante até achar uma farmácia que tivesse o meu remédio. Finalmente comprei o Xarelto e o teste de gravidez. Eu queria aquele da caneta, mas não tinha, tive que me contentar com o da fitinha. Assim que cheguei no carro com a sacola, Orlando notou que tinham duas caixas  e queria saber o que mais eu havia comprado. Ele nunca repara em nada e justo aquela hora foi reparar que tinha algo a mais? Disse que era uma caixa de Dramim porque eu estava muito enjoada e ele acreditou (haha).

Terça de manhã, depois que eu fiz o exame, liguei pra ele como já relatei no post anterior falando que ia sair com a Ana Elisa e antes de desligar, disse que estava morrendo de cólicas e que minha menstruação tinha descido. Assim, consegui acabar com qualquer esperança que ele pudesse ter.

Quando voltei para casa no final da tarde, já havia decidido que o Rocky, nosso cachorrinho, iria participar desse momento tão importante das nossas vidas. Desenhei no papel patinhas de cachorro e espalhei pela casa até o nosso quarto. Em cima da cama escrevi "IRMÃO MAIS VELHO" com letras de EVA e deixei uma sacolinha de coração no centro da cama. Dentro da sacola tinha o teste de farmácia, o exame de sangue e uma chupeta. Treinei com o Rocky pra que ele ficasse quietinho em cima da cama e esperamos ansiosos o Orlando chegar.






Quando ele chegou, precisei pedir o celular dele para filmar porque o meu estava sem memória e o tablet não estava filmando =( 




Foi emocionante! Por mais que tentemos explicar, é impossível traduzir em palavras tudo o que sentimos naquele momento.

No próximo post, vou contar como anunciei para a família!!

12 de Janeiro de 2016 - O dia que apareceram dois risquinhos

Durante essas 12 semanas de gestação, várias pessoas, inclusive meu marido e minha mãe pediram muito para que eu voltasse com o blog e registrasse aqui toda a minha experiência durante esse milagre que está acontecendo comigo. Demorei um pouquinho, mas cheguei! vou começar do começo né?

Bem, passei o mês de dezembro de 2015 inteiro com um sono que jamais senti. Sempre tive muita dificuldade para dormir e do nada eu comecei a dormir e muito. Teve um domingo que deitei para ver um filme com o Orlando por volta das 14:30 e dormi. Acordei assustada às 19h, comi alguma coisa e ainda sentia tanto sono que fui para minha cama e acordei só no dia seguinte. Sentia um pouco de cansaço e passei mal algumas vezes (o que para mim já é normal devido a SAF e a Esclerose Múltipla). Todas essas "esquisitisses" eu comecei a atribuir ao calor, jamais passou pela minha cabeça que pudesse ser uma gravidez.

Minha virada para 2016 foi horrível, fiquei muito mal. Aquela ceia maravilhosa na mesa, minha família reunida conversando e eu ali, deitada no sofá. Meu jantar foram duas batatas cozidas, tudo o que consegui comer naquela noite.
Em janeiro, um aplicativo no meu celular começou a mostrar a mim que minha menstruação estava atrasada... 1, 2, 3, 4, 5, 6 dias... e aí comecei a pensar: "Será?" e ao mesmo tempo pensava: "Não, isso já aconteceu tantas vezes, quantos testes de famácia você já fez?" "Quatro médicos diferentes já te disseram a mesma coisa: as chances de engravidar naturalmente são quase zero" "Você tem endometriose, uma trompa que não funciona, a outra é tão enrolada como um novelo de lã e ainda tem a SAF"...

7,8 dias e printei a tela do meu celular e mandei para três amigas minhas: minha irmã, Ana Elisa e Karina. As três falaram para eu esperar, manter a calma... ainda era cedo para fazer um teste de farmácia. 8, 9, 10 dias e no dia 11 na parte da noite eu comprei um teste de farmácia. Estava decidida, se eu acordasse no dia 12 de janeiro e minha menstruação não tivesse descido, eu faria o teste. Nesse dia contei para um grupo de amigas que eu tenho no whatsapp "Esperei Meu Missionário". Mal consegui dormir aquela noite, minha mente trabalhava a mil, as horas não passavam... que nervoso, que ansiedade...

Dia 12 de janeiro de 2016, terça-feira de manhã, esperei o Orlando sair de casa e fui fazer o xixi mais esperado da minha vida. Meu celular não parava de tocar, minha irmã e minhas amigas querendo saber se já tinha feito. Fiquei conversando com minha irmã, estava nervosa, me tremia toda e agora, enquanto eu relato para vocês, ainda sinto o frio na barriga, como se estivesse vivendo todo esse episódio novamente. Fiz o xixi no potinho, coloquei o teste lá e PAHH!! 2 RISCOS VERMELHOS!! O quê? Oi? Para tudo!!! Ainda tinha que esperar 5 minutos, será que durante esse tempo um risquinho pode sumir? Eu tremia e gritava no celular pra minha irmã: "Tem dois risquinhos vermelhos, tem dois risquinhos! Não tô acreditando" E minha irmã gritava de volta: "Dois risquinhos quer dizer o que? Tô confusa agora! Tira foto" "Patty, você tá aí?" E eu: "Tô, só não tô acreditando, será que tá certo?" E minha irmã: "Queria tá aí agora com você" e eu "Também queria que estivesse..."



As meninas do grupo querendo saber, mandei a foto dos dois risquinhos e todas elas vieram falar comigo, choraram, gritaram, se emocionaram. A Ana Elisa quem me tirou daquele extase... haha falou para eu passar na casa dela e de lá nós duas iríamos ao Pronto Socorro da Unimed pedir um exame de sangue. Assim eu fiz, liguei pro Orlando, disse que a Ana tinha me pedido para passar na casa dela e levar o hugo no hospital (tadinho, a tia te ama viu Hugo?). Antes de ir para a casa da Ana, fui até o meu quarto, ajoelhei no chão e fiz uma oração em meio as minhas lágrimas, meu coração transbordava gratidão!! Passei na casa da Ana, ela me entregou um potinho com uma banana e uma maçã para eu ir comendo (ela já é mãe, pensa em tudo né?) Deixamos o Hugo na casa da tia Sonia (mãe da Ana) e fomos para a Unimed. Passei pela médica, peguei o pedido do exame de sangue, colhi o sangue e tivemos que esperar por 1h e pouca.

Decidimos almoçar no Restaurante Celeiro enquanto isso, Ana fez questão de pagar meu almoço, tínhamos que comemorar né? E eu ali, sem saber direito o que pensar... "Será que isso realmente estava acontecendo comigo?" Minha irmã me chamando toda hora no whatsapp.. "Onde você tá?", "O que você tá fazendo?"

Às 14h voltamos na Unimed para pegar o resultado, abri ao lado da Ana e nós duas vimos o POSITIVO ao mesmo tempo! Gritamos juntas, nos abraçamos e começamos a chorar. As funcionárias olhando, duas até me deram parabéns! Mandei a foto pra minha irmã, ela gritou primeiro um "NÃOOOOO ACREDITOOOOOO" e depois chorou! Mandei a foto para as meninas do grupo, que também comemoraram. Fui até o trabalho da Karina, mostrei pra ela, ela gritou, me abraçou e também começou a chorar.



Fui direto tentar um encaixe com a minha reumatologista, afinal eu tenho SAF, tomo um anticoagulante chamado Xarelto e é proibido tomar esse remédio durante a gestação... ele pode causar má formação no feto. A Dra Andrea Guimarães é um amor e eu consegui ser consultada. Naquele mesmo dia ela suspendeu o Xarelto, me receitou Clexane (uma injeção que eu tenho que aplicar na barriga), remédio para enjôo, AAS, alguns exames de sangue e uma ultrassonografia transvaginal. Pediu que eu fosse a um angiologista para conferir com ele se a dose da injeção estava correta e ordenou que eu procurasse um obstetra o mais rápido possível. Graças a Ana, eu já tinha conseguido. Ela conseguiu um obstetra para mim ainda para aquela semana, na sexta-feira dia  15 de janeiro. A Dra também falou um pouco sobre a gravidez, que é uma gravidez de risco devido a SAF, que eu deveria fazer repouso, tomar certos cuidados e ser acompanhada de perto pelo médico.

Saí da consulta, consegui marcar a ultra para sexta-feira dia 15 também , na parte da manhã. Depois disso Ana, minha irmã e eu começamos a pensar em como eu contaria a grande notícia para o Orlando. Decidimos como seria e saímos as pressas para comprar o que precisava, tínhamos que ser rápidas porque eu ainda ia deixar a Ana na casa da sogra dela, ir pra minha casa e preparar tudo antes que o Orlando chegasse em casa.

Quando cheguei em casa, eu ainda estava no 220, com toda a adrenalina, não parecia ser real ainda. Arrumei tudo e liguei pro Orlando, disse que tinha ensinado um truque pro Rocky e tava doida para que ele visse, perguntei se ele iria demorar e ele disse que já estava indo pra casa. Coração a mil... ele chegou...


Meu Primeiro Positivo

Faz muito tempo que eu não apareço por aqui, tive vários motivos para isso, mas eu quero muito voltar a ativa e deixar meu blog atualizado, principalmente agora.

Tenho endometriose profunda, vou fazer um post depois sobre isso, mas um dos sintomas dessa doença é a INFERTILIDADE. Nenhum médico disse que sou infértil, mas já deixaram claro que minhas chances de engravidar naturalmente são quase zero. No dia que recebi essa notícia, passei a tarde inteira chorando, porque o meu sonho sempre foi o de ser mãe. Tentamos engravidar por 1 ano, tomei remédios, fiz vários exames (chatos, incômodos e doloridos), fiz dois exames de sangue Beta HCG e não sei quantas vezes fiz teste de farmácia, na esperança do tão sonhado positivo. Um ano depois decidimos entender, saber e conhecer sobre o método de fertilização in vitro, (indicado para mim pela minha ginecologista). Fomos em algumas clínicas de fertilização em São Paulo e depois de muito pensar, decidimos fazer no Instituto Ideia Fértil, em Santo André/SP. Passamos nas consultas e chegamos a fazer alguns exames, pagaríamos R$12.000,00 para fazer a fertilização e já tínhamos sido avisados que as chances de conseguir engravidar nessa primeira vez seria de 40%. Como realmente ter filhos é o que queremos, decidimos arriscar e começamos a economizar o dinheiro. Nesse meio tempo descobri outros problemas de saúde (que já comecei a contar aqui), fui internada e o sonho de ser mãe teve que ser adiado. Depois de muito conversar com especialistas, foi-me sugerido que eu esperasse pelo menos um ano para fazer o tratamento de fertilização. Com 8 meses precisei ser internada novamente e mais uma vez ouvi dos médicos que o meu sonho de ser mãe, teria que ser deixado para depois. Mesmo fazendo uma fertilização in vitro, minha gravidez e parto seriam de alto risco e eu precisaria  estar bem de saúde, o que não era o caso naquela época.
Durante todos esses anos, e foram 3, eu chorei muito, ficava arrasada, triste e não conseguia entender por que tantas mulheres engravidavam sem querer, sem nem gostar da ideia de ter um filho, e eu, que queria tanto, não conseguia. Passei por todas as fases que todas mulheres na minha situação passam: raiva, negação, tristeza, depressão... Comecei a passar por um período que todas as minhas amigas engravidavam e eu não, algumas já estavam tendo o segundo filho e eu ainda sem conseguir ter o meu primeiro. Tive muito apoio da minha família, de algumas amigas e principalmente do meu marido e da minha mãe. Foram eles que me ouviram chorar, desabafar e foram eles que me consolaram.
ADOÇÃO já tinha sido assunto no nosso primeiro ano de casados, porque eu já casei sabendo da doença e das dificuldades que nós teríamos. Já havíamos decidido que se conseguíssemos engravidar de um filho e depois tivéssemos dificuldades para ter mais filhos, adotaríamos. Meu marido voltou a falar sobre ADOÇÃO mas isso, NAQUELE MOMENTO, não era uma opção para mim. Na minha cabeça, se eu pensasse em adotar, estaria assinando um ATESTADO de INFERTILIDADE. Se eu pensasse em adoção, isso seria a prova que eu realmente jamais ficaria grávida, que nunca passaria por essa fase da vida de uma mulher.  Sem contar que eu não tinha muito conhecimento sobre a adoção e isso me fazia ter um certo receio, alguns medos e tudo isso me deixava muito confusa. Todos esses meus pensamentos foram mudando aos poucos, porque tudo o que eu mais queria era ser mãe.
Com muita conversa e oração, um certo domingo em dezembro de 2014 falei com o Orlando que estava pronta e queria no dia seguinte ir ao fórum da cidade e dar entrada nos papéis para a adoção. Mal consegui dormir à noite, de tanta ansiedade, de vontade de começar logo!
Segunda pela manhã, fomos ao fórum e tivemos a orientação que precisávamos para saber como começar. O processo todo durou quase um ano, o que para nós durou uma eternidade (em um outro post eu vou falar do passo a passo).
Dia 05 de Novembro de 2015 jamais será esquecido por mim. Estava em casa, preparando a aula que daria no dia seguinte e ouço alguém me chamar, era uma mulher. Ela disse meu nome inteiro e falou que era do fórum e que tinha uma intimação. No primeiro instante, eu levei susto, intimação? E depois ela disse que eu deveria compararecer no fórum com meu marido no dia seguinte para assinarmos e recebermos nossa CERTIDÃO DE HABILITAÇÃO PARA ADOÇÃO, a juíza aprovou nosso pedido! Vocês não conseguem imaginar o tamanho da minha alegria!! Assim que entrei em casa e li o mandado eu comecei a chorar! Foi um choro de FELICIDADE!
Aquela folha branca A4 que eu estava segurando era o meu tão sonhado teste de farmácia POSITIVO. Estou grávida, me sinto grávida, posso dizer que finalmente sou uma futura mamãe... minha gestação não será dentro da minha barriga, minha gestação é DENTRO DO MEU CORAÇÃO! Estou gerando esse filho com muito amor, em breve receberemos em nosso lar o NOSSO TÃO SONHADO FILHO(A). Já oro por ele, peço por ele, que ele seja cuidado e protegido até chegar em nossa família!
Vencemos a primeira etapa, sabemos que a segunda também não será fácil, teremos que ter paciência e controle para não ficarmos muito ansiosos, sabemos que a espera poderá ser longa, mas isso não importa. O que importa é que em algum lugar tem uma criança sendo preparada e guiada para chegar até nós!







"Procriar é uma condição biológica dada pela natureza; criar é uma responsabilidade  no âmbito da ética entre os homens. Procriar é um momento, criar é um processo. Procriar é fisiológico, criar é afetivo."
By Iâni Naíra